Após 25 anos, o Nintendo Play Station roda seu primeiro jogo

Nintendo Play Station capa

Já faz parte da história dos video-games. Em 1993, ainda na era 16 bits, a Sega competia no mercado de games com o seu console de última geração, o Sega Genesis (Mega Drive para nós tupiniquins). Com o intuito de aproveitar uma mídia recém chegada e que abria um grande leque de possibilidades ante a sua capacidade de armazenamento (o CD-ROM) foi lançado um add-on para o Genesis, o Sega CD.

A Nintendo já possuia um acordo desde 1988 com a Sony no qual esta faria um leitor de CD-ROM para o futuro lançamento da Nintendo, o Super Nintendo. Porém, valendo-se deste mesmo acordo, a Sony pretendia também lançar o seu próprio console, o Play Station (não como conhecemos atualmente….continue lendo) que, por conta do acordo com a Nintendo, poderia rodar ports dos cartuchos do SNES e seus próprios conteúdos multimídia. Com isso, a Nintendo ficou bem preocupada, já que ficaria nas mãos da Sony. No dia seguinte ao anúncio da intenção de lançamento do Play Station e no mesmo evento, a Nintendo, para a surpresa de muitos, anunciou que começaria a trabalhar com a Phillips no drive de CD do SNES.

Após os planos da Sony com a Nintendo irem por água abaixo, a Sony voltou às pranchetas e continuou seu projeto que se materializaria futuramente com o lançamento, em 1994, do PlayStation 1.
Diziam as antigas lendas porém que houve a fabricação de protótipos do console da Nintendo com o leitor de CD-ROM da Sony, o SFX-100. Dizia-se que por volta de 200 foram construídos, mas como o acordo não foi para a frente todos eles foram destruídos.

Parece um fim triste para uma história gamer, mas não. No segundo semestre de 2015 uma unidade do famigerado protótipo apareceu, e melhor, funcionando! Um usuário do Reddit postou fotos mostrando o que poderia ser o protótipo perdido do Play Station original que possui entrada para cartuchos do SNES e um leitor de CD-ROM. Ou seja, ainda havia um unicórnio vivo.

O Nintendo Play Station foi levado até Diebolds, hacker atuante da comunidade de video-games retro, que testou o console com um cartucho de SNES e viu que estava funcionando, porém constatou que infelizmente o leitor de CD-ROM funcionava mas não falava com o console e a saída de áudio não funcionava.

 

 

O console foi então posto em um Raio-X mais rápido do que um paciente do SUS para averiguar se não existia nenhum dispositivo de segurança que poderia danificar o vídeo-game quando da sua abertura. Após constatar que era seguro, este foi aberto para se descobrir o porque do mau funcionamento.

O Nintendo Play Station foi então entregue ao hacker Ben Heck para tentar ver o que estava ocorrendo com o console com o intuito de colocá-lo funcionando 100%. E isso parece ter se mostrado mais difícil do que parecia.

Enquanto Ben Heck trabalhava no console, a comunidade de desenvolvedores de emuladores e homebrew começou a criar jogos para este “novo” video-game. Dentre eles, talvez o que mais se destaque seja o Super Boss Gaiden que tem como enredo a história “hipotética” de um CEO da Sony que mandou destruir todos os Nintendo Play Station do mundo.

 

 

Todo mundo pensou que Ben Heck conseguiria resolver o problema do console rapidamente, entretanto demorou até hoje, 18 meses, para que com, digamos, um toque de sorte ele conseguisse ter avanços:

“”I was working on this yesterday and the CD-ROM wasn’t even detecting the disc,” Heck says in the video. “I came in this morning and jiggled the cables around and got ready to work on it some more, and all of a sudden it works… did a magic elf come in overnight?”


“Eu estava trabalhando ontem e o CD-ROM não estava nem detectando o disco. Eu vim nesta manhã e sacudi um pouco os cabos e comecei a trabalhar um pouco mais. De repente funcionou….Um elfo mágico veio aqui na noite anterior!?”. (Pois é, até os hackers dão a famosa pancadinha milagrosa para as coisas funcionarem).  

Pronto! O único de seu tipo estava completamente funcional. Após testar alguns CDs de áudio, Heck tentou carregar alguns daqueles jogos criados em CD-ROM pela comunidade para este console. O Super Boss Gaiden não carregou, mas um jogo mais simples chamado Magic Floor carregou apenas com pequenos glitches nos gráficos!!!!

 

 

O erro ao carregar o jogo deve-se provavelmente porque o emulador do Nintendo Play Station para o qual ele foi escrito e rodava não é perfeitamente igual ao console real. Então, algumas IRQs inesperadas do drive de CD-ROM estavam causando comportamentos estranhos no software do console que não afetavam o emulador.

Enfim, a odisseia parece ter chegado ao fim após estes 18 meses. Um Nintendo Play Station que só fazia parte da história e do imaginário gamer apareceu e está funcional. Logicamente faltam jogos para ele, mas todo o trabalho dos envolvidos foi motivado pelo espírito hacker de mostrar ser possível e pela experiência de ter vivido e realizado algo único no universo dos video-games.

O Nintendo Play Station foi devolvido aos seus donos.

Como dizem por aí: “Parabéns aos envolvidos.”

 

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Abraços

 

Fontes: IdgEngadget

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