Apple vs FBI – Justiça determina que Apple facilite acesso a dados de usuários

FBI vs Apple capa

E mais um caso onde a discussão sobre privacidade vs segurança nacional vem a tona aparece nos EUA. Não é mistério para ninguém, ainda mais depois dos documentos e informações vazados pelo Snowden, que o governo americano monitora as informações de seus cidadãos e do mundo. Isso logicamente não é uma prática exclusiva americana, mas eles, talvez por sua falta de cuidado ou por sua amplitude, estão sempre em voga.

Agora o assunto retorna à discussão após o caso de terrorismo ocorrido em dezembro de 2015, conhecido como o caso de San Bernardino. A justiça americana está ordenando que a Apple ajude o FBI a destravar o iPhone 5C que pertencia ao terrorista.

Mas as coisas não são tão simples assim. A partir do iOS 8 a Apple habilitou por padrão a encriptação de todos os dados dos aparelhos e, na oportunidade do lançamento da atualização, informou que não era tecnicamente viável “responder a qualquer solicitação de extração de dados por parte do governo”. Esse movimento já foi pensando devido às pressões que a empresa vinha sofrendo, dentre elas a de não habilitar a encriptação dos dados de seus produtos.

Apple Backdoor

Por azar, o iPhone 5C do terrorista roda a versão 9 do iOS.

Agora, a princípio, a Apple tecnicamente não conseguiria atender à exigência da justiça. Acontece que o que o FBI quer não é simplesmente os dados do lunático terrorista. A exigência legal é a criação de um backdoor nos dispositivos que facilite, através de um ataque de força bruta, a invasão e coleta dos dados do usuário (força bruta é aquela tática de ataque onde se tenta adivinhar a senha por tentativa e erro):

“Apple’s reasonable technical assistance shall accomplish the following three important functions: (1) it will bypass or disable the auto-erase function whether or not it has been enabled; (2) it will enable the FBI to submit passcodes to the SUBJECT DEVICE for testing electronically via the physical device port, Bluetooth, Wi-Fi, or other protocol available on the SUBJECT and (3) it will ensure that when the FBI submits passcodes to the SUBJECT DEVICE, software running on the device will not purposefully introduce any additional delay between passcode attempts beyond what is incurred by Apple hardware.”

O que a justiça exige da Apple é 1) Desabilitar o auto-erase; 2) Possibilitar que o FBI ataque via força bruta através das interfaces do dispositivo (Bluetooth, Wi-Fi, Thunderbold); 3) Que as tentativas não possuam delay entre elas.

Ou seja, o FBI quer, e ainda raspado.

Tim Cook, CEO da Apple, já se pronunciou publicamente sobre o assunto condenando a exigência que segundo ele vai contra o estado democrático americano. Tim Cook diz ainda que a Apple vai lutar contra a decisão judicial.

 

Apple Backdoor Tim Cook

Um ponto crucial neste assunto é que o FBI já possui inúmeras informações sobre as pessoas que cometeram o crime, inclusive dados da iCloud, mensagens de texto, computadores, etc..
O que se suspeita é que o FBI está se aproveitando de um caso de comoção nacional para conseguir aquilo que vem tentando há muito tempo: brechas nos sistemas mais seguros .Não é de hoje que ela busca isso.

Se essa decisão permanecer, com certeza os países europeus, que também não são santos, vão exigir algo parecido.

O FBI na época do Arquivo X já foi melhor nisso. Novamente, vamos observar os próximos movimentos.

Abraços

Fonte: ArsTechnica

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